Largar tudo

Mais arriscada por causa da economia, decisão de estudar no exterior deve ser tomada com visão de longo prazo

19.outubro de 2014 – por Danielle Fonseca – Folha de São Paulo

A decisão de deixar o emprego, investir alto e ficar um ou até dois anos fora do mercado de trabalho para fazer um MBA no exterior fica mais difícil com o desaquecimento da economia.

Houve neste ano uma desaceleração nas contratações para cargos executivos e pode haver dificuldades de recolocação profissional. Especialistas afirmam que a conjuntura econômica deve ser levada em conta, mas não é determinante para deixar de investir na carreira.

“A decisão não deve ser tomada só pensando no curto prazo”, diz Maria Candida Baumer, sócia da consultoria de RH People & Results.

Para ela, é preciso analisar qual o rumo esperado para sua carreira no futuro e como estará a economia mais à frente. “É uma boa opção principalmente para profissionais antes dos 30 anos, que podem arriscar mais e querem mudar de empresa ou área de atuação”, afirma.

O engenheiro civil Fábio Nunes dos Santos, 39, por exemplo, mudou de empresa um ano após concluir o MBA na Fuqua School of Business, na Universidade Duke, nos Estados Unidos. Para ele, um dos aspectos mais importantes da experiência vivida foi o “networking” (rede de contatos). “O novo convite de trabalho veio de um colega que conheci durante o MBA”, diz.

Santos trabalhava em uma empresa de mineração e no ano passado foi contratado pela consultoria Marsh Risk Consulting, onde hoje é líder da América Latina e Caribe para o setor de construção.

Com a economia no Brasil em um momento de difícil previsibilidade, o MBA no exterior tem a vantagem de abrir caminhos para seguir carreira fora de seu país natal.

Coordenadores de escolas nacionais também dizem que a diferença entre MBAs no exterior e no Brasil diminuiu bastante nos últimos anos. E quem quiser correr menos riscos e continuar no país poderá encontrar boas opções.

“Há alguns anos havia uma disparidade muito grande. Mas hoje há produtos no Brasil que conseguem ser competitivos”, diz Elaine Tavares, vice-diretora do Full Time MBA do Coppead/UFRJ.

Há alternativas de MBAs com módulos internacionais ou convênios com instituições estrangeiras, possibilitando que o aluno passe um tempo fora, mas sem precisar largar o seu emprego.

O engenheiro mecatrônico Ricardo Ruiz Rodrigues, 44, cursou o MBA Executivo da Universidade de Pittsburgh, em São Paulo, que possui o mesmo conteúdo da unidade norte-americana, mas com fóruns obrigatórios em Pittsburgh (EUA) e em Praga, na República Tcheca.

Rodrigues chegou a pesquisar MBAs no exterior, mas optou por esperar. “Na época, minha carreira estava caminhando como eu desejava. Seria prejudicial uma paralisação por dois anos”, afirma.

A escola de negócios BBS, em São Paulo, é outra que oferece a opção de módulos internacionais, como um na Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Com isso, viu a demanda crescer. “A procura pelos módulos internacionais curtos cresceu 35% neste ano”, diz John Schulz, sócio-fundador da BBS.

Há ainda boas opções em escolas que possuem certificações internacionais, chamadas de acreditações, entre elas a Eaesp (da FGV de São Paulo), a Ebape (da FGV do Rio), o Coppead da UFRJ, a Fundação Dom Cabral, o Insper, o Ibmec e a FIA.

Algumas dessas instituições brasileiras inclusive criaram MBAs que oferecem experiências semelhantes a do exterior, com a opção de estudar em tempo integral, períodos de imersão, aulas em inglês, professores estrangeiros e salas com alunos oriundos de diversos países.

É o caso do Coppead/ UFRJ, o único em período integral do Brasil e da América Latina que está no ranking do jornal “Financial Times”.

A Fundação Dom Cabral oferece um MBA executivo com carga horária mais extensa, de 1.300 horas (a maioria dos cursos costuma ter em torno de 500 horas), e períodos de imersão, em que os alunos ficam durante uma semana no campus de Nova Lima, em Minas Gerais.

A fundação está criando novas opções de MBAs, que irá lançar em 2016, entre elas uma em período integral e um com módulos que serão cursados no exterior.

“Percebemos uma demanda de jovens que gostariam de ir para fora, mas querem continuar a trabalhar no Brasil, às vezes cuidam do negócio da família, por exemplo”, diz Carla Arruda, gerente de projetos de programas de MBA da fundação.

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