Start-up ou uma grande empresa?

Folha de São Paulo – Caderno de Empregos – 05.08.2012

Perfil do candidato determina o tipo de companhia mais adequado para começar a carreira

 

Simon Plestenjak/Folhapress
Vitor de Mesquita trabalhou no Google e agora tem a própria empresa
Vitor de Mesquita trabalhou no Google e agora tem a própria empresa

 

DE SÃO PAULO

O programador Glauber Campinho, 24, trabalhava como desenvolvedor em uma start-up de moda on-line, com uma equipe de cinco pessoas, quando teve a oportunidade de ir para uma grande consultoria de tecnologia que tinha 50 profissionais dedicados a apenas um projeto. Um ano depois, Campinho estava de volta ao site.

Ele diz que percebeu uma “diferença brutal”. “Sinto que na start-up minha opinião é levada mais em consideração. Eu decido sobre o produto final da empresa.”

Essa dificuldade de adaptação de quem começou em uma empresa menor e, depois, aventurou-se em uma companhia de grande porte é comum. De acordo com Maria Candida Baumer, sócia-diretora da consultoria People & Results, o resultado depende do perfil do profissional.

“Quem se adapta melhor a ambientes estruturados, regras claras e processos bem estabelecidos pode se sentir melhor em uma grande empresa. Quem gosta de produzir o que não existe funciona melhor em uma start-up.”

Vitor de Mesquita, 28, também já experimentou os dois lados e diz que ambos são válidos. No fim de 2010, ele largou um emprego no Google para trabalhar em uma loja virtual e agora se prepara para lançar seu negócio próprio, o Locamob, que permite que os internautas analisem locais que já visitaram. Ele não desmerece os três anos que passou na gigante da internet.

“O Google fez com que eu aprendesse a gerenciar o processo de criar um produto. Também foi essencial para ter contato com investidores.”

PRECONCEITO

Além de sofrer com a adaptação a hierarquias mais rígidas e a processos de desenvolvimento mais longos, quem começa a carreira em start-ups também pode ter mais dificuldade de conseguir uma vaga em uma grande companhia mais tarde.

“Existe um preconceito. Se a pessoa só trabalhou em start-ups não vai ser vista com bons olhos”, diz Baumer.

Campinho reconhece o problema, mas diz que isso pode ser contornado. “Quando você tem uma grande empresa no currículo, as pessoas já sabem que você passou por uma seleção forte, que tem certas habilidades. No caso da start-up, você precisa explicar o trabalho e demonstrar uma visão mais ampla dos projetos.”

Bruna Tokunaga Dias, gerente de carreiras da Cia de Talentos, recomenda que profissionais nessa situação mostrem ao recrutador exemplos práticos da sua experiência. “Ele pode contar que frequentou reuniões com pessoas importantes e que tinha responsabilidades.”

Começar em uma empresa menor, porém inovadora, é recomendável para quem tem planos de abrir o próprio negócio futuramente. Dias diz que é importante passar por esse “estágio” antes de embarcar em um voo solo.

“Alguns jovens saem da universidade direto para abrir um negócio. Depois de três ou quatro anos, a empresa não dá certo e eles querem voltar para o mercado sem experiência consistente.”

(FM)

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